quarta-feira, 3 de outubro de 2012
"Sombras, sombras por todos os lados. Comendo a minha fala antes dela sair, despejando ácido na minha comida, fazendo com que eu bata do dedo mindinho em toda a quina de móvel. Os meus erros são escuros, tão escuros que eu jamais pude ver até então. Alguns que jamais vi. A vida, corrida que corria de mim, medrosa, escapoliu, dos dedos, os acertos, opostos tão opostos, como junção de polo com polo de magnetismo. A intensidade é tão alta que nem daqui eu vejo. Como rádio frequência a.m. e eu aqui com o botão no f.m. Sombras de pó, de brilho de noite, de vão de cama. O barulho da televisão tão baixo que parece sussurro, tudo tão baixo que parece sussurro. O medo que é medo agora é fobia. E qualquer barulho vira sinal de holocausto. Onde o toque de ruas, de feridas abertas, de músicas interminadas são como o quase fim. O fim só sombras conhecem. Mas sombras, só sombras pelos lados. Quantos gatos estão na sala se cada gato vê três gatos? O trava-línguas que travou o coração no último e que último batimento era esse que sempre continuava? Sombras, sombra que são como o céu; escuro, tão denso, pintado com lantejoulas, na iminência de cair. São sombras aquelas que vi encurraladas no fundo do armário com medo do claro. Com medo de mim. Que sombras são essas que eu nunca vi e tanto senti?"
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário