segunda-feira, 27 de maio de 2013

Estou voltando. Melhor dizendo: uma parte de mim está voltado para este mundo em que só faz sentido aquilo que vemos, tocamos e podemos explicar. Quero de novo as multas por alta velocidade, as pessoas discutindo nos caixas de banco, as eternas reclamações sobre o tempo, os filmes de terror e as corridas de Fórmula 1. Esse é o universo que terei que conviver pelo resto dos meus dias; vou casar, ter filhos, e o passado será uma lembrança distante, que no final me fará perguntar durante o dia: como pude ser tão cego, como pude ser tão ingênuo?
Sei também que, durante a noite, outra parte de mim ficará vagando no espaço, em contato com coisas que são tão reais como o maço de cigarros e o copo de gim que tenho na minha frente. Minha alma dançara com a alma Athena, eu estarei com ela enquanto durmo, acordarei suando, irei até a cozinha beber um copo de água, entenderei que para combater fantasmas é preciso usar coisas que não fazem parte da realidade. Então, seguindo conselhos de minha avó, colocarei uma tesoura aberta na mesa de cabeceira, e assim cortarei a continuação do sonho.
No dia seguinte, olharei para a tesoura com certo arrependimento. Mas preciso adaptar-me de novo a esta mundo, ou termino ficando louco.



Heron Ryan

Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la atrás  da porta: o objetivo de luz é trazer mais luz á sua volta, abrir os olhos, mostrar as maravilhas ao redor.
Ninguém oferece em sacrifício a coisa mais importante que possui: o amor.
Ninguém entrega seus sonhos nas mãos daqueles que podem destruí-lo.

quarta-feira, 10 de abril de 2013




E cada dia que passa perco minha sanidade, meu chão, meu caminho. Já não sei pra onde correr, pra que colo pedir socorro. No fim me encontro na solidão de antes, talvez eu nunca tenha saído do chão, cheguei a pensar que tinha me levantado, pura ilusão. Nunca saí do mesmo lugar. Acreditei que tinha encontrado minha asa, e voado, realmente acreditei. Mas a decepção foi tão grande quando caí, que senti que iria sufocar, sufoquei na dor. 

oas19.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Ai você percebe que quando estava quieto, sozinho estava bem. 
Meus ouvidos não ouviam mentiras, meus olhos não choravam por dor, só por saudade.
Meus sentidos embriagados, estragados em uma madrugada qualquer, em um abraço qualquer de alguém qualquer. 
Ali eu até me sentia segura, segura de mim mesma. Sabia que ali nada poderia ser maior do que eu, e minhas vontades.
Sabia que assim nada se fere, ninguém se fere!
Depois de um tempo percebemos que estar sozinho não era algo ruim, mais vivíamos famintos por afeto, de sonhos
de montar uma vida com alguém do lado, sem saber que o tempo todo poderia estar montando seus castelos sozinha, com o lobo -mal do lado. Afinal o príncipe sempre foi conto de fadas!